O que é Ser um Dependente Químico?

O que é ser um dependente químico?

Muitas pessoas não conseguem entender por que ou como outras se tornam dependentes de substâncias químicas. Algumas delas até erroneamente pensam que um viciado é alguém que não tem educação ou força de vontade e que poderiam deixar de fazer uso de qualquer droga a qualquer momento, se quisessem. No entanto, esse quadro não podia estar mais longe da realidade. Fato é que ser um dependente químico, na verdade, é estar doente, e a recuperação exige muito mais que boa vontade ou determinação.

O vício é uma doença crônica que se caracteriza pela busca compulsiva de substâncias químicas para uso desenfreado, sem que o viciado consiga ter controle sobre isso, mesmo que ele saiba que o vício está destruindo sua vida social, familiar e financeira. Claro que a decisão de ingressar no mundo das drogas é voluntária, mas o vício acontece normalmente de forma silenciosa e, quando a pessoa percebe, ela já não tem mais autocontrole e não consegue mais resistir aos impulsos de ingerir a substância.

A imensa maioria das drogas afeta o sistema de recompensas do nosso cérebro. Em seu funcionamento normal, uma pessoa deve repetir determinado tipo de comportamento para que se sinta recompensada. Pense em todas as vezes que você comeu uma barra de chocolate porque merecia, ou ficou de pernas pro ar no final de semana porque teve dias turbulentos no trabalho, e a satisfação que isso te trouxe. Um dependente químico precisa usar a droga na qual se viciou para obter os mesmos efeitos, porque o cérebro “desliga” o funcionamento normal desse sistema, e a sensação de prazer só é atingida pelo uso da substância.

Conforme o uso da droga vai se prolongando no tempo, o cérebro vai se adaptando à quantidade de droga ingerida, e vai exigindo cada vez mais da substância para atingir os mesmos efeitos, o que começa a afetar outros circuitos cerebrais, como o aprendizado, a tomada de decisões, o raciocínio, o comportamento e até a forma como se lida com o estresse. O viciado começa a ter problemas com a família, se isola de seus círculos sociais e vê o rendimento no trabalho ou nos estudos despencar. Alguns chegam a perder o trabalho e gastar todo o seu dinheiro para manter o vício. Outros caem no mundo do crime para conseguir sustentar a necessidade de aquisição cada vez mais frequente da substância.

Uma notícia ruim é que, como qualquer outra doença crônica, tal qual a diabetes ou a asma, a dependência química não possui uma cura propriamente dita. No entanto, há uma boa notícia: os efeitos da dependência podem ser tratados e a compulsão pelo uso pode ser controlada pelo viciado desde que ele se submeta ao tratamento correto. O risco de recaídas existirá pelo resto de suas vidas, mas com as ferramentas certas fica muito mais fácil de controlá-lo. A submissão ao tratamento correto, como a terapia cognitivo-comportamental, largamente utilizada para os casos de vício, faz com que o usuário de drogas entenda os motivos pelos quais é levado ao uso dessas substâncias, e aprenda a controlar esses impulsos, o que não leva à cura, mas devolve o poder de controle sobre sua vida.

O que causa a dependência química?

O que causa a dependência química?

A dependência química é uma doença do nosso cérebro que leva o usuário de drogas, álcool ou medicamentos controlados a ter comportamentos incontroláveis, mudando completamente de personalidade e se tornando incapaz de frear o consumo dessas substâncias, não importa as consequências que isso tenha em suas vidas. Entretanto, o problema do vício não se torna óbvio de um dia para o outro; normalmente, ele começa com usos ocasionais dessas substâncias que, para algumas pessoas pode não causar dependência, mas que, para outras, pode se tornar uma necessidade. Então, o que causa a dependência química?

O vício em drogas afeta diretamente as estruturas do cérebro e a forma com que os usuários experimentam sensações como as de prazer e de calma, através da alteração das químicas que ocorrem em nossos neurotransmissores. O uso das drogas leva à liberação de inúmeros impulsos nervosos de forma rápida, o que explica a sensação de euforia ou de letargia causada pelo uso dessas substâncias, a depender do seu princípio ativo. Entretanto, as substâncias são rapidamente absorvidas pelo organismo, o que leva o usuário a buscar nova ingestão delas para atingir o mesmo efeito. Ainda, o organismo humano vai se adaptando à quantidade de química, de forma que o usuário precisa de cada vez mais droga para atingir os efeitos desejados.

Como qualquer outro problema mental e de saúde, inúmeros fatores podem determinar se uma pessoa é mais suscetível a se tornar um viciado ou não. A genética, por exemplo, é um deles, e influencia a forma com que seu corpo e seu cérebro processam a substância, o que pode acelerar ou retardar o processo do vício. O Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos estima que a genética é responsável por cerca de 50% do risco de se tornar um dependente químico, estatística essa que pode ser aumentada a depender dos fatores motivacionais e circunstanciais da vida dessa pessoa.

O ambiente em que o viciado vive também é um grande fator de risco, já que influencia diretamente o seu comportamento. Uma pessoa que nasce em um meio em que não existe apoio social nem da família, que é cercada de usuários de drogas, que possui histórico de abusos ou negligência e cuja família tenha inúmeros problemas tem mais riscos de buscar refúgio nas drogas – e isso independe da classe social a que pertence. Ao crescerem, normalmente essas pessoas não desenvolvem habilidades para lidar com estresse e ansiedade, e desenvolvem comportamentos compulsivos, dentre os quais o uso de substâncias químicas.

Pessoas de qualquer sexo, idade, raça ou classe econômica podem se tornar viciadas em alguma droga, mas a incidência é maior quando elas possuem familiares que também têm esse problema – quanto mais próximos, mais altas as chances –, em pessoas com distúrbios psicológicos, como depressão ou problemas graves de ansiedade, hiperatividade, estresse pós-traumático, etc., em pessoas que tiveram traumas na infância, como histórico de abuso sexual ou violência doméstica, e o uso de substâncias altamente viciantes, como estimulantes estilo crack, que pode chegar a viciar desde o primeiro uso.